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terça-feira, 20 de março de 2012

EM DEFESA DO SOCIALISMO CIENTÍFICO: PATRIOTISMO POPULAR OU NACIONALISMO BURGUÊS

Lenin, na sua obra “Marxismo e revisionismo” (1908), demonstrou como algumas correntes supostamente marxistas nada mais eram do quê a continuidade da presença pequeno-burguesa no seio da classe trabalhadora, na qual o próprio Marx havia travado intenso combate. Vencedor, o marxismo se hegemonizara no movimento operário europeu, condenando as correntes utópicas ao isolamento. Porém, a raiz histórica desse fenômeno não havia se alterado, a pequena-burguesia apenas mudara a forma de atuação, passando a se travestir de marxista, mas continuando a defender concepções equivocadas, vacilantes e conciliadoras. No início do séc. XX essa corrente atinge o seu auge, hegemonizando-se na II Internacional e se autoproclamando revisionista. Em nome da atualização do marxismo, pregavam a revisão de alguns aspectos centrais da teoria revolucionária, entre elas a negação da necessidade da revolução como meio para alcançar o poder e o socialismo.

Um dos componentes fundamentais dessa primeira geração de revisionistas foi a defesa incondicional de suas respectivas nações, levando a II Internacional à falência com a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Os partidos social-democratas (onde se organizavam os marxistas até a fundação da III Internacional e a construção de diversos Partidos Comunistas pelo mundo) agiram como legítimos lacaios das burguesias de seus respectivos países, justificando entre a classe operária o massacre de milhões de trabalhadores em um confronto causado pela voracidade imperialista. O revisionismo ficou a reboque do nacionalismo chauvinista burguês.


A traição da social-democracia e a vitória da Revolução Russa impulsionaram a reorganização dos trabalhadores sob as bandeiras da III Internacional, mas não impediram que o revisionismo continuasse presente dentro do movimento comunista (o eurocomunismo é um exemplo). Atualmente, o revisionismo ainda se manifesta, atuando até mesmo de maneira hegemônica dentro de organizações outrora revolucionárias (inclusive no Brasil). Um dos aspectos dessa corrente continua a ser o chauvinismo, agora oportunamente disfarçado de patriotismo anti-imperialista.


No final do século XIX o capitalismo entra em sua fase imperialista e o centro da luta pelo socialismo passa para os países menos desenvolvidos. Uma das características fundamentais da luta revolucionária nessas nações passa a ser o enfrentamento do imperialismo, reforçando o sentimento patriótico entre os trabalhadores. Tanto a China quanto o Vietnã tiveram sucesso ao unir as tarefas de libertação nacional com a revolução socialista. Ho Chi Minh escreveu em 1960: “somente o socialismo e o comunismo poderiam libertar as nações oprimidas e o povo trabalhador ao redor do mundo da escravidão”.


Mas as distorções nacionalistas revisionistas nada têm a ver com o patriotismo revolucionário, por mais que evoquem esse último, latem como cães de guarda da burguesia, geralmente contra um país vizinho mais fraco ou até mesmo para justificar sua submissão a essa burguesia. O patriotismo proletário é essencialmente internacionalista ao estimular e defender os direitos de outros povos, compreendendo que o único setor capaz de levar a frente esses desejos verdadeiramente patrióticos é a classe trabalhadora, diferente dos revisionistas que só admitem o patriotismo de seus respectivos países e alimentam ilusões quanto ao comprometimento da burguesia na luta por emancipação nacional e social. A histórica exploração da América Latina por parte da maior potência imperialista da história (EUA) faz da luta anti-imperialista um componente essencial da luta pelo socialismo na região, exigindo dos revolucionários a denúncia da hipocrisia do nacionalismo burguês e/ou revisionista.



Referências bibliográficas

LENIN, V. Ilitch. Marxismo e revisionismo. Disponível em www.marxists.org/portugues

LENIN, V. Ilitch. O oportunismo e a falência da II Internacional. Disponível em www.marxists.org/portugues

TSÉ-TUNG, Mao. O Livro Vermelho. Martín Claret.

MARX, Karl e ENGELS, Friederich. Manifesto do Partido Comunista. Disponível em www.marxists.org/portugues

MINH, Ho Chi. Algumas considerações sobre a questão colonial. Disponível em www.marxists.org/portugues

MINH, Ho Chi. Lenin e os povos colonizados. Disponível em www.marxists.org/portugues

MINH, Ho Chi. O caminho que me levou ao leninismo. Disponível em www.marxists.org/portugues

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

TECNOLOGIA MILITAR E SOBERANIA POLÍTICA: O EXEMPLO DA LÍBIA


Líbia e monopólio nuclear

Diariamente a mídia tem atacado diversas nações hostis ao imperialismo por desenvolverem tecnologia nuclear, seja voltada para uso militar (por exemplo a Coréia do Norte) ou pacífico (como o Irã). Sem o menor pudor omitem as diversas nações alinhadas com os EUA (em toda a história o único país responsável pelo uso da bomba atômica, no final da II Guerra Mundial) que já possuem bombas atômicas e utilizam as mesmas como forma de amedrontar outros povos. Entre os possuidores de tais armas temos França, Inglaterra e os próprios EUA, além de possivelmente Israel (grande responsável pela instabilidade no Oriente Médio). O atual Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares possui um erro fundamental, pois legitima os armamentos já existentes, legalizando o monopólio desta tecnologia por um pequeno grupo de países, tornando os demais reféns em potencial. O caso líbio é um grande exemplo. Em 2003, após uma série de conversas com o Ocidente, o líder Muammar Kadafi anunciou o fim do programa nuclear da Líbia, esperando melhorar as relações externas de sua nação dentro do novo quadro geopolítico internacional (inaugurado com a queda da URSS, grande parceira de Kadafi). Todos sabem o resultado. Mesmo sem oferecer perigo algum aos regimes imperialistas e cedendo parcialmente aos interesses desses países, Kadafi ainda mantinha intacta a soberania de sua nação e grande parte dos frutos dos vastos recursos naturais eram voltados para o seu povo, impactando na construção dos melhores índices sociais de toda a África. Diante das agitações populares legítimas no mundo árabe, o imperialismo viu uma boa oportunidade de tirar essa pequena pedra de seu sapato e saquear os recursos naturais do povo líbio.


Guerra Fria e soberania tecnológica

Durante a II Guerra Mundial houve uma grande corrida entre as nações envolvidas no conflito para desenvolver armamentos nucleares, mas, felizmente, quando uma delas conseguiu a guerra já estava praticamente terminada, o que não impediu os EUA de lançarem a bomba atômica sobre a população civil japonesa, no maior atentado terrorista da história.

Com a derrota da face mais podre do capitalismo, o fascismo, as disputas globais voltam a ter como centro a luta entre o modo de produção capitalista e o socialismo, representados principalmente pelos 2 grandes vencedores da II Guerra Mundial, URSS e EUA.

Diante da ameaça representada pelos EUA e sua tecnologia nuclear, a URSS também investe nesse setor. Ao ser indagado por um repórter sobre a possibilidade de um ataque nuclear soviético aos EUA, Josef Stálin, líder da União Soviética responde da seguinte forma:

“Não existe fundamento algum para tal alarme. Os políticos dos Estados Unidos não podem deixar de saber que a União Soviética se coloca não somente contra o emprego da arma atômica, como também pela sua proibição e pela cessação de sua fabricação. (...) Os políticos dos EUA estão descontentes pelo fato de que o segredo da arma atômica seja possuído não só pelos Estados Unidos, como também por outros países e, antes de mais nada, pela União Soviética. Eles gostariam que os Estados Unidos fossem os monopolistas da fabricação da bomba atômica para que os Estados Unidos tivessem a ilimitada possibilidade de amedrontar os outros países. (...) Os interesses da manutenção da paz exigem antes de mais nada a liquidação de semelhantes monopólios e, depois, a proibição incondicional da arma atômica. Penso que os partidários da bomba atômica só aceitarão a proibição da arma atômica se virem que já não são mais os monopolistas de tal arma.”

A genialidade de Stálin se confirmou durante toda a Guerra Fria, pois mesmo nos momentos mais tencionados os EUA não puderam atacar nenhum outro povo através de bombas atômicas.



Hegemonia imperialista e ameaça à soberania brasileira

Com a contra-revolução responsável pelo retorno do capitalismo e a desfragmentação da URSS, os EUA passaram a ter mais "liberdade" para garantir seus interesses imperialistas através das armas, mas a tecnologia nuclear de outras nações ainda o impedem de utilizar bombas atômicas.

Existiriam muito mais motivos para uma intervenção imperialista na Coréia do Norte ou no Irã, já que a tensão entre estes países e os EUA são muito maiores do que eram entre esse a nação ianque e a Líbia, mas a possibilidade de ser contra-atacado por armamentos nucleares forçam os líderes políticos de Washington a uma reflexão mais profunda sobre os riscos.

A tendência é que os conflitos globais por recursos naturais sejam cada vez mais intensos, devido à escassez dos mesmos. Nesse cenário o Brasil goza de relativa tranquilidade, já que possui uma das maiores reservas de água e de petróleo do mundo, porém essa tranquilidade quanto aos recursos naturais trás a preocupação com as garras imperialistas que farão de tudo para obtê-los.

A reativação da IV Frota militar naval dos EUA, responsável pela patrulha do Atlântico, "coincidiu" com a descoberta da camada pré-sal do petróleo brasileiro. Um alerta sobre os riscos que corremos, no qual deveria ser levado em conta na hora de aplicarmos recursos ao desenvolvimento tecnológico militar nacional.

Como disse Nelson Mandela, geralmente quem escolhe as formas de luta são os opressores e não os oprimidos, por isso é importante não cairmos nas lorotas imperialistas e garantirmos nossa soberania através de todos os meios e com todos os recursos disponíveis.

Diego Grossi

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