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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A MORTE DE KADAFI FOI O AUGE DA "REVOLUÇÃO ÁRABE"?


A morte de Kadafi foi uma vitória do imperialismo e o triunfo reacionário de uma nação sobre a outra não pode ser classificado como uma revolução. Há meses diversos países do Oriente Médio tem sido tomadas por manifestações populares de grande porte, mas que até agora não resultaram em nenhuma alteração considerável na estrutura política e social, com exceção da Líbia, que tende a se tornar mais um "protetorado" estadunidense.

De uma forma geral, essas erupções sociais continham uma série de reivindicações justas, mas faltou uma vanguarda organizada, com visão histórica e capaz de elevar o nível político das massas. O auge das reivindicações políticas de peso foi uma série de adaptações "ocidentalizantes", defesas do modelo burguês de democracia. O primeiro grande triunfo visto foi a queda do ditador Mubarak, do Egito, mas a demora por tranformações políticas profundas e mudanças socio-econômicas, levou o próprio povo de volta às ruas, mas até agora nada de muito diferente foi alcançado.

As chamadas "revoluções árabes", pelo menos até agora, não passaram de modernizações burguesas (ou busca por essas) em Estados ditatoriais e/ou teocráticos, cuja forma de governo é mais adequada a regimes pré-capitalistas do que ao capitalismo "globalizado" (ou melhor, imperialista). Novos setores da burguesia, afastados do poder, repetem a tática das revoluções burguesas clássicas, aproveitando as reivindicações populares para mobilizar as massas e conquistar o poder, excluíndo as mesmas após a queda dos inimigos.

Se a falta de perspectiva revolucionária não fosse suficientemente negativa, as nações imperialistas ainda souberam aproveitar mais a instabilidade política do que a classe trabalhadora desses países. A queda de Kadafi, ex-líder da nação mais desenvolvida da África (1), até agora foi o principal evento de todo o processo.

O fundo do problema árabe é o mesmo dos diversos povos pelo mundo: Não existe revolução sem socialismo neste século XXI, num mundo interligado e submisso aos interesses capitalistas imperialistas. Ilusões quanto à "democracia" continuarão a levar os povos à lutas estéreis (pelo menos para os mesmos, pois setores da burguesia podem sair ganhando). O foco deve ser a socialização da propriedade e o estabelecimento de um Estado dominado pelos trabalhadores.

Mas revoluções socialistas só são possíveis quando existem vanguardas bem preparadas, que sejam capazes de representar não só os interesses imediatos da classe trabalhadora, mas sim seus interesses históricos. Falta isso aos manifestantes árabes, mas a experiência combativa tem muito valor e não deve ser menosprezada. Já se houve falar até e posições do Partido Comunista Egípcio. Isso é um avanço.



Que as massas árabes percam as ilusões quanto ao modelo burguês e tomem para si a tarefa histórica de construção do socialismo!

Viva Kadafi e a resistência líbia!



Notas:

1 - BERTOLINO, Oslvado. Líbia: Toda a verdade. Disponível em: http://www.webgeral.net/outroladodanoticiacombr/inicial/10277-libia-toda-a-verdade.html

"Os programas sociais do Coronel Muammar Gathafi na Líbia são muito maiores do que os aplicados nos países vizinhos.

Infra-estruturas modernas surgiram nos últimos anos que visam atrair investimento e trazer riqueza acrescentada e desenvolvimento sustentável para os cidadãos da Líbia; o programa Gathafi de alfabetização forneceu a educação universal gratuita e desde que ele assumiu o poder em 1969, a expectativa de vida dos cidadãos da Líbia aumentou 20 anos, enquanto a mortalidade infantil diminuiu drasticamente.

Gathafi representa o controle dos recursos da Líbia por líbios e para líbios. Quando ele chegou ao poder dez por cento da população sabia ler e escrever. Hoje, é cerca de 90 por cento a taxa de alfabetização. As mulheres, hoje, têm direitos e podem ir à escola e conseguir um emprego.
A qualidade de vida é de cerca de 100 vezes maior do que existia sob o domínio do rei Idris I."

Diego Grossi

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domingo, 1 de agosto de 2010

22 ANOS SEM HENFIL: A MÃO REVOLUCIONÁRIA DO POVO

"Eu quero ser a mão do povo desenhando." Há 22 anos, o autor desta ilustre frase, tão ligado ao sofrimento do povo e às causas políticas e sociais, abandonou o Brasil. Mas não por vontade própria. Vítima de uma transfusão de sangue contaminado com o vírus HIV, Henrique de Souza Filho, o Henfil, faleceu, deixando, mais que saudade, uma lacuna na luta contra a corrupção e a censura.

O tempo mudou. O cenário político é outro, mas a sociedade ainda contempla os mesmos males antes combatidos por Henfil. Foi desenhando que o cartunista levou reflexão e crítica ao povo, apresentando a realidade encoberta pela sombra dos censores e torturadores do regime militar.

De família humilde, porém que prezava a educação, Henfil foi um dos filhos a se destacar por sua atuação engajada, assim como o irmão Herbert José (Betinho), sociólogo e ativista político. A história do desenhista é ricamente narrada por Márcio Malta, o Nico, na obra Henfil – O humor subversivo (Editora Expressão Popular, 2008). Por meio de entrevistas concedidas pelo cartunista, assim como relatos de amigos que acompanharam a trajetória de Henfil, Nico concede aos leitores a oportunidade única de conhecer o lado frágil e revolucionário do "guerrilheiro do cartum", segundo as palavras do cartunista Miguel Paiva.

Pautada quase exclusivamente pela ditadura militar vigente no Brasil, a vida profissional de Henfil marcou os profissionais da área, por uma crítica inteligente e que possibilitou a liberdade de opinião a uma sociedade por vezes alienada. Quando não estava desenhando, Henfil contribuía com ajuda financeira e emocional os militantes, as instituições e as famílias perseguidas pelo duro regime. O cartunista se valia de sua frágil posição como portador da hemofilia para agir em prol daqueles que precisavam. A doença, que compromete a coagulação sanguínea e impossibilita o controle de eventuais sangramentos, era outro mal combatido de forma particular pelo cartunista.

Conceito de engajamento

Mas nem a sua delicada condição de saúde, tampouco as ameaças anônimas que recebeu inúmeras vezes amedrontaram o corajoso desenhista. Por meio de seus combatentes, os personagens que criou, Henfil usava da inteligência e perspicácia dos leitores para passar sua mensagem adiante. Os fradinhos Cumprido e Baixinho, o Cabôco Mamadô e seu cemitério de vivos, a turma do alto da caatinga e o paranoico Ubaldo foram algumas das armas utilizadas por ele para combater o mal que assolava o país à época. Cartas endereçadas à mãe, Dona Maria da Conceição, e publicadas na IstoÉ quando de sua passagem pela revista nos idos das décadas de 1970 e 1980, eram outra maneira encontrada pelo cartunista para enviar mensagens à população sobre os problemas da esfera política e social. Meios inteligentes para driblar a feroz censura imposta aos meios de comunicação.

Responsável por batizar o movimento das "Diretas Já!", Henfil teve uma importante participação nesta nova fase política do Brasil, envolvendo-se em comícios, arrecadação de fundos, elaboração de material de propaganda, dentre outras ações. Tinha como missão fomentar o engajamento e não só deixar as reclamações no papel. Na obra de Malta, uma citação de Henfil deixa bem claro suas atitudes: "A chave para você fazer humor engajado, é você estar engajado. Não há chance de você ficar na sua casa vendo os engajamentos lá fora, e conseguir fazer algo."

Manter a chama viva

Além de adotar o lápis como arma, Henfil também era diretor, ator e roteirista de filmes, peças de teatro, livros e programas de TV. Em 1988, o cartunista lançou o filme Tanga – deu no New York Times?, uma sátira ao papel da grande imprensa na criação de fatos irreais, porém apresentados como verdade ao público. Henfil era contra o papel generalista dos meios de comunicação que, segundo ele (e apontado por Márcio Malta em seu livro), deveriam servir aos anseios do povo. "Se você trabalha numa concessão pública, (...) não pode ficar falando de esquis, jogos de tênis ou problemas pessoais, quando tem gente literalmente morrendo de fome."

Passando os últimos anos de vida na cidade que o lançou ao sucesso, o Rio de Janeiro, Henfil "morreu de Brasil", segundo as palavras do amigo Tárik de Souza. Devido à falta de controle dos hospitais públicos sobre os doadores à época, não só ele como mais dois irmãos seus também contraíram Aids durante as transfusões de sangue, agravando ainda mais seu delicado estado de saúde. Em 4 de janeiro de 1988, com apenas 43 anos de idade, o revolucionário cartunista deixou dor aos familiares, amigos e uma multidão de admiradores de sua arte.

Com o filho, Ivan Consenza de Souza, ficou a esperança de perpetuar e divulgar os originais guardados pelo cartunista. Herdeiro de um acervo com mais de 15 mil desenhos originais, Ivan divulga o trabalho do pai em mostras, exposições e publicação em jornais. Um modo de manter viva a chama de combate às mazelas que insistem em macular a democracia e liberdade de opinião, obtidas com muito suor e sangue.


Referência Bibliográfica

MALTA, Márcio (Nico). Henfil: o humor subversivo. 1 ed. São Paulo: Expressão Popular, 2008.


Samira Moratti

Fonte: Observatório da Imprensa





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domingo, 23 de maio de 2010

O CHE GUEVARA ENXADRISTA


O argentino Ernesto Che Guevara foi incluído no Livro de Ouro da FIDE e nomeado Cavalheiro da FIDE. Estas duas altíssimas distinções da Federação Internacional são um reconhecimento ao aporte que Che Guevara fez ao desenvolvimento do Xadrez cubano e latino-americano.

Conhecedor do papel do Jogo Ciência como um eficaz meio de educação e formação do intelecto do homem, Che foi um fervoroso amante do Xadrez e chegou a ser, apesar de suas diversas ocupações, um forte enxadrista.

Assíduo visitante de eventos enxadrísticos celebrados na capital cubana, constituiu-se sempre em uma fonte de apoio e de estímulo para os jogadores cubanos em cada rodada dos Torneios Capablanca "in Memoriam".

Sua alta responsabilidade dentro do Governo cubano teve influência no apoio oficial que o xadrez recebeu desde 1959 e, junto com uma correta política desportiva dirigida à massificação do Jogo Ciência em toda a ilha, possibilitaram o desenvolvimento quantitativo e qualitativo do Xadrez nacional.

Como impulsionador do Xadrez cubano, contribuiu com o apoio necessário para a organização em Cuba de diferentes eventos internacionais que contaram sempre com a participação de jogadores de toda a América.

Nos Torneios Capablanca "in Memoriam", Campeonatos Pan-americanos e na Olimpíada Mundial de 1966, participaram -e participam- destacados jogadores de toda a América, os quais, conjuntamente com os enxadristas cubanos da década de 60, influíram decisivamente no desenvolvimento do Xadrez em seus respectivos países.

Já no começo da década de 60, Che profetizou que Cuba teria Grandes Mestres como resultado da obra da Revolução e, poucos anos depois de sua desaparição física, seus prognósticos se fizeram realidade com a norma alcançada por Silvino García.

Hoje em dia, pode-se afirmar que nos 10 títulos de Grande Mestre, nos trinta e tantos de Mestre Internacional, no Campeonato Mundial Juvenil conquistado por Walter Arencibia, entre outros triunfos do Xadrez cubano, está presente a obra de Che.

Quando foi celebrado em La Habana o primeiro Torneio Capablanca in Memoriam, em 1962, onde resultou ganhador seu conterrâneo Miguel Najdorf, Che manifestou:

"Neste momento de confrontações mundiais, que se devem a sistemas ideológicos muito distintos, o Xadrez pode e é capaz de aglutinar pessoas de países com sistemas políticos diferentes“.

MI Nelson Pinal

Fonte: torre21.com

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

MARIÁTEGUI: LÊNIN (INÉDITO NA NET)


LÊNIN

MARIÁTEGUI – MARÇO DE 1924


O proletariado revolucionário perdeu mais um de seus grandes condutores e líderes. Um que com maior eficácia, maior acerto e maior capacidade serviu a causa dos trabalhadores, dos explorados e dos oprimidos.

Nenhuma vida foi tão fecunda para o proletariado revolucionário como a vida de Lênin. O líder russo possuía uma extraordinária inteligência, uma extensa cultura, uma vontade poderosa e um espírito abnegado e austero. A estas qualidades se unia uma faculdade assombrosa de perceber claramente o curso da história e adaptar a atividade revolucionária a ela.

Esta faculdade genial, esta atitude singular, não abandonou nunca Lênin. E assim, iluminado pela experiência da insurreição de 1905, Lênin compreendeu claramente a necessidade de criar um partido revolucionário, isento de prejuízos e ilusões democráticas e parlamentaristas. Logo em 1907, Lênin advertiu para a iminência da guerra, previu suas conseqüências políticas e econômicas e anunciou a possibilidade e o dever de aproveitá-la para antecipar e acelerar o fim do regime capitalista. Finalmente, depois de haver denunciado o caráter da guerra européia e depois de haver intervindo nos congressos de Zimmerwald e Kienthal, nos quais as minorias socialistas e sindicais da Europa afirmaram seus princípios classistas e internacionalistas, abandonados pela Segunda Internacional, Lênin conduziu o proletariado russo a conquista do poder, aboliu a exploração capitalista em um povo de cento e vinte milhões de homens, defendeu a revolução de seus inimigos internos e externos e organizou a Terceira Internacional, que reúne hoje em suas seções numerosas, milhões de homens de todas as nacionalidades e de todas as raças em marcha à “luta final”.

Qualquer que seja a posição ideológica que se tenha no campo revolucionário, não se poder negar a Lênin um endereço e um posto principal na história da redenção dos trabalhadores. Vemos, por isso, que os próprios socialistas da Segunda Internacional, dessa Internacional reformista tão energicamente atacada por Lênin, em sua mensagem de condolências a Moscou hão rendido homenagem a retidão e a sinceridade do revolucionário russo.

Comunistas, socialistas e libertários, os homens de todas as escolas e todos os partidos revolucionários, e tirando estes ou aqueles, almejando um regime de justiça social, se dão conta de que a obra e a personalidade de Lênin não pertencem a uma seita nem a um grupo destinado a todo o proletariado, aos revolucionários de todos os países.

O duelo dos trabalhadores é, pois, universal e unânime.

A morte de Lênin significa uma perda enorme para a Revolução: Lênin poderia dar muito esforço inteligente as massas revolucionárias. Porém, não teve tempo, afortunadamente, para cumprir parte essencial de sua obra e de sua missão; definiu o sentido histórico da crise contemporânea, descobriu um método e uma prática realmente proletários e classistas e forjou os instrumentos morais e materiais da Revolução. Milhares de colaboradores, milhões de discípulos prosseguirão, completarão e concluíram a sua obra.

“Claridad”, em nome da vanguarda organizada do proletariado e da juventude e dos intelectuais revolucionários do Peru, saúda a memória do grande mestre e agitador russo.


Traduzido por Diego Grossi em Setembro de 2008

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FIDEL CASTRO: SALVADOR ALLENDE, UM EXEMPLO QUE PERDURA

ALLENDE, UM EXEMPLO QUE PERDURA
FIDEL CASTRO - 27 DE JUNHO DE 2008 (ESCRITO PARA O 100º ANIVERSÁRIO DE ALLENDE)

Nasceu há cem anos em Valparaíso, no sul do Chile, em 26 de junho de 1908. Seu pai, de classe média, advogado e notário, militava no Partido Radical chileno. Quando eu nasci, Allende tinha 18 anos. Realiza seus estudos médios em um liceu da cidade natal.

Em seus anos de estudante pré-universitário, um velho anarquista italiano, Juan Demarchi, o põe em contato com os livros de Marx.

Gradua-se como aluno excelente. Gosta de esporte e o pratica. Entra como voluntário no serviço militar no Regimento Coraceros de Viña del Mar. Solicita translado ao Regimento Lanceros de Tacna, um enclave chileno no norte seco e semi-desértico, posteriormente devolvido ao Peru.

Egressa como oficial de reserva do Exército. Já o faz como homem de idéias socialistas e marxistas. Não se tratava de um jovem mole e sem caráter. Era como se adivinhasse que um dia combateria até a morte defendendo as convicções que já começavam a se formar em sua mente.
Decide estudar a nobre carreira de Medicina na Universidade do Chile. Organiza um grupo de colegas que se reúnem periodicamente para ler e discutir sobre o marxismo. Funda o Grupo Avance em 1929. É eleito vice-presidente da Federação de Estudantes do Chile em 1930 e participa ativamente na luta contra a ditadura de Carlos Ibáñez.

A grande depressão econômica nos Estados Unidos já havia se desatado com a crise da Bolsa de Valores que estalou em 1929. Cuba entrava na luta contra a tirania machadista. Mella tinha sido assassinado. Os operários e os estudantes cubanos enfrentavam a repressão. Os comunistas, com Martínez Villena à frente, desatavam a greve geral. "Faz falta carga para matar safados, para terminar a obra das revoluções..." â€" tinha proclamado em vibrante poema. Guiteras, de profunda raiz antiimperialista, tenta derrocar a tirania com as armas. Cai Machado, que não pôde resistir ao empurre da nação, e surge uma revolução que os Estados Unidos em poucos meses, com luvas de pelica e mão de ferro, esmaga, e seu domínio absoluto perdura até 1959.

Durante esse período Salvador Allende, em um país onde a dominação imperialista se exercia brutalmente sobre seus trabalhadores, sua cultura e suas riquezas naturais, realiza uma luta conseqüente que nunca o afastou de sua irrepreensível conduta revolucionária.

Em 1933 forma-se como médico. Participa na fundação do Partido Socialista do Chile. É já dirigente em 1935 da Associação Médica Chilena. É preso durante quase meio ano. Impulsiona o esforço para criar a Frente Popular, e o elegem subsecretário geral do Partido Socialista em 1936.
Em setembro de 1939 assume a pasta de Salubridade no governo da Frente Popular. Publica um livro seu sobre medicina social. Organiza a primeira Exposição da Moradia. Participa no ano 1941 na reunião anual da Associação Médica Americana nos Estados Unidos. Ascende em 1942 a Secretário Geral do Partido Socialista do Chile.

Vota no Senado, no ano 1947, contra a Lei de Defesa Permanente da Democracia, conhecida como "Lei Maldita" por seu caráter repressivo. Ascende em 1949 a Presidente do Colégio Médico.

Em 1952 a Frente do Povo o postula para Presidente. Tinha então 44 anos. Perde. Apresenta no Senado um projeto de lei para a nacionalização do cobre. Viaja à França, Itália, União Soviética e a República Popular da China em 1954.

Quatro anos depois, em 1958, é proclamado candidato à Presidência da República pela Frente de Ação Popular, constituída pela União Socialista Popular, o Partido Socialista do Chile e o Partido Comunista. Perde a eleição para o conservador Jorge Alessandri.

Assiste em 1959 à tomada de posse de Rómulo Betancourt como Presidente da Venezuela, considerado até então como uma figura revolucionária de esquerda.

Viaja nesse mesmo ano a Havana e se entrevista com o Che e comigo. Respalda em 1960 aos mineiros do carvão, que paralisam seu trabalho durante mais de três meses.

Denuncia junto ao Che em 1961 o caráter demagógico da Aliança para o Progresso na reunião da OEA que aconteceu em Punta del Este, Uruguai.
Designado de novo candidato à Presidência, é derrotado em 1964 por Eduardo Frei Montalva, democrata-cristão que contou com todos os recursos das classes dominantes e que, segundo dados revelados em documentos tornados públicos do Senado dos Estados Unidos, recebeu dinheiro da CIA para apoiar sua campanha. Em seu governo, o imperialismo tratou de desenhar o que se chamou a "Revolução em Liberdade", como resposta ideológica à Revolução Cubana. O que a engendrou foram os fundamentos da tirania fascista. Nessa eleição, Allende obtém, no entanto, mais de um milhão de votos.

Encabeça em 1966 a delegação que assiste à Conferência Tricontinental de Havana. Visita a União Soviética no 50°Aniversário da Revolução de Outubro. No ano seguinte, 1968, visita a República Democrática da Coréia, a República Democrática do Vietnã, onde tem a satisfação de conhecer e conversar com o extraordinário dirigente desse país, Ho Chi Minh. Inclui nesse mesmo percurso o Camboja e Laos, em plena efervescência revolucionária.

Depois da morte do Che, acompanha pessoalmente até o Taiti três cubanos da guerrilha na Bolívia, que sobreviveram à queda do Guerrilheiro Heróico e se encontravam já em território chileno.

A Unidade Popular, coalizão política integrada por comunistas, socialistas, radicais, MAPU, PADENA e Ação Popular Independente, proclama-o seu candidato em 22 de janeiro de 1970, e triunfa em 4 de setembro nas eleições desse ano.

É um exemplo verdadeiramente clássico da luta por vias pacíficas para estabelecer o socialismo.
O governo dos Estados Unidos, presidido por Richard Nixon, após o triunfo eleitoral entra de imediato em ação. O Comandante em Chefe do Exército chileno, general René Schneider, é vítima de um atentado em 22 de outubro e falece três dias depois porque não se submetia à demanda imperialista de um golpe de Estado. Fracassa a tentativa de impedir a chegada da Unidade Popular ao governo.

Allende assume legalmente com toda dignidade o cargo de Presidente do Chile em 3 de novembro de 1970. Começa do governo sua heróica batalha pelas mudanças, enfrentando ao fascismo. Tinha já 62 anos de idade. Coube-me a honra de ter compartilhado com ele 14 anos de luta antiimperialista desde o triunfo da Revolução Cubana.

Nas eleições municipais de março do ano 1971, a Unidade Popular obtém maioria absoluta dos votos com 50,86 por cento. Em 11 de julho o presidente Allende promulga a Lei de Nacionalização do Cobre, uma idéia que tinha proposto ao Senado 19 anos antes. Foi aprovada no Congresso por unanimidade. Ninguém se atrevia a objetá-la.

Em 1972 denuncia na Assembléia Geral das Nações Unidas a agressão internacional da qual é vítima seu país. É ovacionado em pé durante longos minutos. Visita nesse mesmo ano a União Soviética, México, Colômbia e Cuba.

Em 1973, ao se realizarem as eleições parlamentares de março, a Unidade Popular obtém 45 por cento dos votos e aumenta sua representação parlamentar.

Não podem prosperar as medidas promovidas pelos ianques nas duas Câmaras para destituir ao Presidente.
O imperialismo e a direita agravam uma luta sem quartel contra o governo da Unidade Popular e desatam o terrorismo no país.

Escrevi-lhe seis cartas confidenciais à mão, com letra pequenina e uma caneta de ponta fina entre os anos 1971 e 1973, nas quais lhe abordava temas de interesse com a maior discrição.

Em 21 de maio de 1971 dizia-lhe:

"... Estamos maravilhados com seu extraordinário esforço e suas energias sem limites para sustentar e consolidar o triunfo.

"Daqui pode-se apreciar que o poder popular ganha espaço apesar de sua difícil e complexa missão.

"As eleições de 4 de Abril constituíram uma esplêndida e alentadora vitória.

"Foram fundamentais seu valor e decisão, sua energia mental e física para levar adiante o processo revolucionário.

"Seguramente esperam por vocês grandes e variadas dificuldades a serem enfrentadas em condições que não são precisamente ideais, mas uma política justa, apoiada nas massas e aplicada com decisão não pode ser vencida..."
Em 11 de setembro de 1971, escrevi-lhe:

"O portador viaja para tratar contigo os detalhes da visita.

"Inicialmente, considerando um possível vôo direto em avião da Cubana, analisamos a conveniência de aterrissar em Arica e iniciar o percurso pelo norte. Surgem logo duas coisas novas: interesse expressado a você por Velazco Alvarado de um possível contato em minha viagem para essa; possibilidade de contar com um avião soviético IL-62 com maior rádio. Este último permite, se desejarmos, chegar em vôo direto a Santiago.

"Vai um esquema de percurso e atividades para que você acrescente, tire e introduza as modificações que estime pertinente.

"Tentei pensar exclusivamente no que possa ser de interesse político sem me preocupar muito com o ritmo ou a intensidade do trabalho, mas tudo em absoluto fica submetido aos seus critérios e considerações.

"Desfrutamos muito os sucessos extraordinários de sua viagem ao Equador, Colômbia e Peru. Quando teremos em Cuba a oportunidade de emular com equatorianos, colombianos e peruanos o enorme carinho e calor com que te receberam?"
Naquela viagem, cujo esquema transmiti ao presidente Allende, salvei milagrosamente a vida. Percorri dezenas de quilômetros diante de uma multidão enorme, situada ao longo do caminho. A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos organizou três ações para assegurar meu assassinato durante essa viagem. Numa entrevista de imprensa anunciada com antecipação, havia uma câmera fornecida por uma emissora televisiva da Venezuela equipada com armas automáticas, manejada por mercenários cubanos que com documentos desse país tinham entrado ao Chile. A valentia falhou aos que apenas tinham que apertar o gatilho durante o longo tempo que durou a entrevista e as câmeras me enfocaram. Não queriam correr o risco de morrer. Tinham me perseguido, ademais, por todo o Chile, onde não me voltaram a ter tão perto e vulnerável. Só pude conhecer os detalhes da covarde ação anos mais tarde. Os serviços especiais dos Estados Unidos haviam chegado mais longe do que podíamos imaginar.
Em 4 de fevereiro de 1972 escrevi a Salvador:

"A delegação militar foi recebida com o maior esmero por todos aqui. As Forças Armadas Revolucionárias dedicaram praticamente todo seu tempo durante esses dias a atendê-la. Os encontros foram amistosos e humanos. O programa intenso e variado. Minha impressão é que a viagem foi positiva e útil, que existe a possibilidade e é conveniente continuar desenvolvendo estes intercâmbios.

"Com Ariel falei sobre a idéia de sua viagem. Compreendo perfeitamente que o trabalho intenso e o tom da contenda política nas últimas semanas não tenham te permitido considerá-la para a data aproximada que mencionamos nessa. É indubitável que não tínhamos levado em consideração estas eventualidades. Por minha parte, naquele dia, vésperas de meu regresso, quando jantávamos já de madrugada em sua casa, ante a falta de tempo e a urgência das horas, tranqüilizava-me pensar que relativamente logo voltaríamos a nos encontrar em Cuba onde íamos dispor da possibilidade de conversar extensamente. Tenho, não obstante, a esperança de que você possa levar em consideração a visita antes de maio. Menciono este mês, porque no mais tardar, desde meados do mesmo, tenho que realizar a viagem, já impostergável, à Argélia, Guiné, Bulgária, outros países e a URSS. Esta ampla visita me tomará considerável tempo.

"Agradeço-lhe muito as impressões que me dá sobre a situação. Aqui, a cada dia todos estamos mais familiarizados, interessados e afetados emotivamente com o processo chileno, seguimos com grande atenção as notícias que chegam de lá. Agora podemos compreender melhor o calor e a paixão que suscitou a revolução cubana nos primeiros tempos. Poderia dizer-se que estamos vivendo nossa própria experiência ao inverso.
"Em sua carta posso apreciar a magnífica disposição de ânimo, serenidade e valor com que está disposto a enfrentar as dificuldades. E isso é fundamental em qualquer processo revolucionário, especialmente quando se desenvolve nas condições sumamente complexas e difíceis do Chile. Eu voltei com uma extraordinária impressão da qualidade moral, cultural e humana do Povo Chileno e de sua notável vocação patriótica e revolucionária. A você te correspondeu o singular privilégio de ser seu condutor neste momento decisivo da história do Chile e da América, como culminação de toda uma vida de luta, como o disse no estádio, consagrada à causa da revolução e do socialismo. Nenhum obstáculo pode ser invencível. Alguém disse que em uma revolução se marcha adiante com audácia, audácia e mais audácia. Eu estou convencido da profunda verdade que encerra este axioma."
Escrevi-lhe de novo ao presidente Allende em 6 de setembro de 1972:

"Com Beatriz lhe mandei mensagem sobre diferentes tópicos. Depois que ela partiu e com motivo das notícias que estiveram chegando na semana passada, decidimos enviar o companheiro Osmany para ratificar nossa disposição de colaborar em qualquer sentido, e ao mesmo tempo para que você possa nos comunicar através dele sua apreciação da situação e suas idéias com relação à viagem projetada a este e outros países. O pretexto da viagem de Osmany será inspecionar a Embaixada cubana, ainda que não se lhe dará publicidade alguma. Queremos que sua estadia nessa seja muito breve e discreta.

"Os pontos propostos por você através de Beatriz já estão sendo cumpridos...

"Ainda que compreendemos as atuais dificuldades do processo chileno, confiamos que vocês acharão o modo de vencê-las.

"Pode contar inteiramente com nossa cooperação. Receba uma saudação fraternal e revolucionária de todos nós."

Em 30 de junho de 1973 enviamos um convite oficial ao presidente Salvador Allende e aos partidos da Unidade Popular para comemoração do 20° Aniversário do ataque ao Quartel Moncada.
Em carta aparte, digo-lhe:

"Salvador:

"O anterior é o convite oficial, formal, para a comemoração do 20° Aniversário. O formidável seria que você pudesse dar um pulo em Cuba nessa data. Você pode imaginar o que significaria isso de alegria, satisfação e honra para os cubanos. Sei que isso, no entanto, depende mais que nada dos seus trabalhos e da situação nesse. Deixamos, portanto, para sua consideração.

"Ainda estamos sob o impacto da grande vitória revolucionária do dia 29 e do seu brilhante papel pessoal nos acontecimentos. É natural que muitas dificuldades e obstáculos subsistirão, mas estou certo de que esta primeira prova exitosa lhes dará grande fôlego e consolidará a confiança do povo.

Internacionalmente deu-se grande destaque aos acontecimentos e aprecia-se como um grande triunfo.

"Atuando como o fez em 29, a revolução chilena sairá vitoriosa de qualquer prova por difícil que seja.

Reitero-te que os cubanos estão ao seu lado e que você pode contar com seus fiéis amigos de sempre."
Em 29 de julho de 1973 envio-lhe a última carta:

"Querido Salvador:

"Com o pretexto de discutir contigo qüestões referentes à reunião de países não alinhados, Carlos e Piñeiro realizam uma viagem a essa. O objetivo real é de se informar sobre a situação e oferecer-lhe como sempre nossa disposição a cooperar frente às dificuldades e perigos que obstaculizam e ameaçam o processo. A estadia deles será muito breve porque têm aqui muitas obrigações pendentes e, não sem sacrifício de suas atividades, decidimos que fizessem a viagem.

"Vejo que estão agora na delicada qüestão do diálogo com a D.C. no meio de acontecimentos graves como o brutal assassinato do seu assessor naval e a nova greve dos donos de caminhões. Imagino por isso a grande tensão existente e seus desejos de ganhar tempo, melhorar a correlação de forças para no caso de que estale a luta e, ser for possível, achar um caminho que permita seguir adiante o processo revolucionário sem contenda civil, ao mesmo tempo que salvar sua responsabilidade histórica pelo que possa ocorrer.

Estes são propósitos louváveis. Mas no caso que a outra parte, cujas intenções reais não estamos em condições de avaliar daqui, empenhasse-se em uma política pérfida e irresponsável exigindo um preço impossível de ser pago pela Unidade Popular e a Revolução, o que é, inclusive, bastante provável, não esqueça por um segundo a formidável força da classe operária chilena e o respaldo enérgico que te ofereceu em todos os momentos difíceis; ela pode, ao seu chamado ante a Revolução em perigo, paralisar aos golpistas, manter a adesão dos vacilantes, impor suas condições e decidir de uma vez, se é preciso, o destino do Chile. O inimigo deve saber que está alerta e pronta para entrar em ação. Sua força e sua combatividade podem inclinar a balança na capital ao seu favor ainda que outras circunstâncias sejam desfavoráveis.
"Sua decisão de defender o processo com firmeza e com honra até o preço de sua própria vida, que todos sabem que você é capaz de cumprir, arrastarão para seu lado todas as forças capazes de combater e todos os homens e mulheres dignos do Chile. Seu valor, sua serenidade e sua audácia nesta hora histórica de sua pátria e, sobretudo, sua chefatura firme, resolvida e heroicamente exercida, constituem a chave da situação.

"Faça com que Carlos e a Manuel saibam como podem cooperar seus leais amigos cubanos.

"Reitero-te o carinho e a ilimitada confiança do nosso povo."
Isto o escrevi um mês e meio antes do golpe. Os emissários eram Carlos Rafael Rodríguez e Manuel Piñeiro.

Pinochet havia conversado com Carlos Rafael. Tinha-lhe simulado uma lealdade e firmeza similares às do general Carlos Pratts, Comandante em Chefe do Exército durante parte do governo da Unidade Popular, um militar digno que a oligarquia e o imperialismo puseram em total crise, o que o obrigou a renunciar ao comando, e foi mais tarde assassinado na Argentina pelos esbirros da DINA, após o golpe fascista de 1973.

Eu desconfiava de Pinochet desde que li os livros de geopolítica que me obsequiou durante minha visita ao Chile e observei seu estilo, suas declarações e os métodos que como Chefe do Exército aplicava quando as provocações da direita obrigavam ao presidente Allende a decretar estado de sítio em Santiago do Chile. Recordava o que advertiu Marx no 18 Brumário.

Muitos chefes militares do exército nas regiões e seus estados maiores queriam conversar comigo onde quer que chegasse, e mostravam notável interesse pelos temas de nossa guerra de libertação e as experiências da Crise de Outubro de 1962. As reuniões duravam horas nas madrugadas, que era o único tempo livre para mim. Eu acedia por ajudar a Allende, inculcando-lhes a idéia de que o socialismo não era inimigo dos institutos armados. Pinochet, como chefe militar, não foi uma exceção. Allende considerava úteis estes encontros.

Em 11 de setembro de 1973 morre heroicamente defendendo o Palácio de la Moneda. Combateu como um leão até o último suspiro.
Os revolucionários que resistiram ali à investida fascista contaram coisas fabulosas sobre os momentos finais. As versões nem sempre coincidiam, porque lutavam de diferentes pontos do Palácio.

Ademais, alguns de seus mais próximos colaboradores morreram, ou foram assassinados após o duro e desigual combate.

A diferença dos depoimentos consistia em que uns afirmavam que os últimos disparos os fez contra si próprio para não cair prisioneiro, e outros que sua morte se deu por fogo inimigo. O Palácio ardia atacado por tanques e aviões para consumar um golpe que consideravam trâmite fácil e sem resistência. Não há contradição alguma entre ambas as formas de cumprir o dever. Em nossas guerras de independência houve mais de um exemplo de combatentes ilustres que, quando já não havia defesa possível, privaram-se da vida antes de cair prisioneiros.

Há muito que dizer ainda sobre o que estivemos dispostos a fazer por Allende, alguns o escreveram. Não é o objetivo destas linhas.

Hoje se cumpre um século de seu nascimento. Seu exemplo perdurará.

Fonte: http://alainet.org/active/24989&lang=es

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

TRIBUTO À ROSA LUXEMBURGO


No dia 15 de Janeiro de 1919 morriam assassinados pela polícia alemã Karl Libknecht e Rosa Luxemburgo, revolucionária fundadora do Partido Comunista Polonês e do Partido Comunista Alemão.

Teórica firme e original, Rosa atuou num momento complexo da história, marcado por grandes divergências e revoltas sociais. Nascida em Zamosc, na Polônia (na época ocupada pela Rússica Czarista), Rosa começa a sua atuação militante após terminar o ginásio, sendo que por causa de sua opção política vive em diversos países, como a Suiça, a França e a Alemanha.

Rosa destacou-se por sua grande capacidade intelectual e sua coragem, fundadora do Liga Spartacus, organização discidente do Partido Social-democrata Alemão (PSDA) uqe posteriormente transformaria-se no Partido Comunista Alemão, Rosa foi ao lado de Lenin, uma das mais ferozes combatentes do revisionismo e do oportunismo hegemônicos na II Internacional. Suas obras tem um valor histórico grande, boa parte das críticas se mostraram bem fundamentadas e apesar de parcela estar hoje superada, ainda continua válido o seu conteúdo histórico.

Apesar das grandes polêmicas entre Rosa e Lenin, este, jamais negou sua admiração, rendendo-lhe uma homenagem no discurso de abertura da Internacional Comunista (http://voz-vermelha.blogspot.com/2009/01/lnin-discurso-de-abertura-do-primeiro.html).

Exaltar a memória de Rosa não é apenas exaltar a memória de uma pessoa, mais sim, não deixar morrer as idéias de liberdade e justiça na construção da revolução socialista.

Entre as principais obras de Rosa Luxemburgo estão:

*1899 - Reforma ou Revolução
*1904 - Questões de organização da social-democracia russa
*1906 - Greve de massas, partido e sindicatos
*1913 - A acumulação do capital
*1918 - O que quer a Liga Spartacus?



Obras de Rosa Luxemburgo e Karl Libknetch em português: www.marxists.org/portuguese/index.htm


Rosa Luxemburgo errou...; ela errou...; ela errou...; ela errou...; ela errou...
Mas apesar de todos os seus erros ela foi e continua sendo uma águia.
Lenin, 1922

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41 ANOS DA MORTE DE CHE GUEVARA: SUA TRAJETÓRIA E SEU LEGADO










No dia 09 de Outubro de 1967 morreu um herói e nasceu um mito, Ernesto "Che" Guevara, libertador de Cuba e o princípal ícone da luta de um continente inteiro durante o séc. XXI por sua emancipação.

A trajetória de Che Guevara

Nascido na cidade de Rosário, Argentina, no dia 14 de Junho de 1928, sua família foi forçada a mudar-se para Córdoba, por causa de sua asma, mesmo com as dificuldades oriundas da crise de 29, Ernesto teve uma vida razoável, a família de classe média que contava com mais 4 filhos, todos estes criados num bom ambiente, muda-se novamente, desta vez, para Buenos Aires, onde Ernesto estudaria medicina, buscando ajudar as pessoas com a medicina.

Aos 19 anos, Ernesto decide conhecer o interior do país de bicicleta, 4 anos depois, decidi viajar de motocicleta pela América do Sul com seu amigo Alberto Granados, viagem esta, decisiva para a formação política de Che, que conhece de perto o sofrimento do povo. Após terminar os estudos em Buenos Aires, Ernesto é convidado por Alberto (que não retorna da viagem junto com Ernesto) para trabalhar com ele na Venezuela, convite que é aceito. Durante a viagem, vários problemas ocorrem, até que Ernesto fica sabendo dos acontecimentos políticos na Guatemala (Jacobo Arbens, como presidente deste país estava realizando uma série de reformas de cunho popular, que iam diretamente contra os interesses estadunidenses). Chegando na Guatemala, Ernesto ajuda como pode, primeiramente trabalha num posto médico da capital, até que uma invasão militar estadunidense derruba o governo de Jacobo, Ernesto tenta a luta armada, mas não consegue apoio. Procurado e correndo risco de vida decidi se exilar no México, junto com alguns conhecidos de vários países. No México conhece alguns exilados do Movimento 26 de Julho, que liderados pelo ex-advogado Fidel Castro, buscavam libertar Cuba da ditadura pró-EUA de Fulgêncio Batista, iniciava-se um novo capítulo na vida de Che.

Após um árduo treinamento e de ser até preso, Ernesto embarca no navio Granma, com cerca de 100 guerrilheiros para invadir Cuba e derrubar a ditadura de Batista. Porém, com o excesso de carga, o navio chega 3 dias após o previsto, todas as insurreições populares que deveriam dar apoio ao movimento já haviam sido esmagadas, logo que chega em terras cubanas os guerrilheiros são atacados, após muita confusão e dispersão, apenas pouco mais de 10 sobrevivem, mesmo assim, decidem subir as montanhas e continuar a luta.

Com uma plataforma popular e um exército bem organizado, o 26 de Julho vai ganhando cada vez mais o apoio da população, principalmente de camponeses, que vão engroçando cada vez mais as fileiras do movimento. Ernesto, passa a ser chamado de "Che", graças ao uso corrente desta expressão, que é comum em determinadas regiões da Argentina, e com muita garra e habilidade, passa a ser um dos comandantes do movimento, que no dia 1º de Janeiro de 1959, entra vitorioso em Havana, após a fuga de Batista, inicia-se a Revolução Cubana.

A revolução não tem um caráter comunista no início, inclusive nem era apoiada pelo Partido Comunista, alguns poucos membros eram adeptos do marxismo, como o próprio Che (que aprendera muito com Hilda Gadea, revolucionária peruana que conheceu durante sua última viagem e casou-se em em 1955) e o irmão de Fidel e também líder da revolução, Raúl Castro. Fidel procura a ajuda dos EUA, inclusive visita este país, porém, logo se decepciona e em 1962, graças ao apoio da URSS, a revolução é declarada socialista.

Durante sua estadia em Cuba, Che separa-se de Hilda Gadea e casa-se com Aleida March. Cumpre várias tarefas (comandante das forças armadas revolucionárias, diretor do Departamento de Industrialização e presidente do Banco Nacional) e viaja para diversos países (como o Brasil e a URSS). Denuncia aos 4 cantos do mundoa exploração e humilhação que o imperialismo estava impondo, é reconhecido pelo 3º mundo como seu porta voz. Com a fundação da OLAS (Organização Latino-americana de Solidariedade) a luta armada começa a ser pregada por todo o continente.

Em 1965 vai ao Congo, lutar pela independência deste país junto com alguns cubanos. Após diversas dificuldades, como problemas no dialógo, indiciplina e crenças no movimento congoles e a falta de comunicação com os líderes do movimento, Che decide voltar para Cuba.

Em 1966 vai a Bolívia e junto com membros do Partido Comunista, pretendia iniciar um foco revolucionário que não faria a revolução apenas na Bolívia, mas sim no continente inteiro, vários focos guerrilheiros estavam acontecendo no continente, e Che pretendia unificar a América-Latina através da revolução socialista obtida após a tomada do poder por estes movimentos.
Che obteve vários problemas, primeiro foi abandonado pelo PC, que decidiu seguir a linha soviética de Kruschev, depois teve de iniciar os combates nas piores condições, quando seu exército ainda estava em treinamento, após perder o contato com Cuba e ficar isolado na selva, Che, que estava com um grave ferimento no pé, é preso no dia 08 de Outubro e fuzilado, por orden da CIA, no dia 09.

A atualidade de suas idéias

As idéias de Che centravam-se num projeto de América Latina unida como nação e socialista, forte o suficiente para enfrentar o imperialismo dos EUA e a luta armada como única saída para todos os povos que desejassem almejar sua libertação e o socialismo, que só seria consolidado com a total transformação da consciencia do ser-humano, tornando-se um novo homem.

Passados mais de 40 anos de suas contribuições, muita coisa se perdeu, outras estão superadas, mas muitas ainda são válidas. O foquismo se demonstrou uma excessão quanto a sua vitória em Cuba, todos os movimentos que trilharam esta opção de luta armada forma sufocados, os camponeses do continente, mesmo que com uma forte tendência à luta, dificilmente largam seus costumes pequeno-burgueses e a econômica se mostrou muito mais complexa do que parecia. Porém, a burocracia reinante em diversas organizações ainda é fator decisivo para a falta de perspectiva revolucionária, a falta de ligação com as massas é visível, as armas se mostram cada vez mais necessárias, inclusive para garantir os avanços conquistados sob regimes democráticos, como na Venezuela e a humanide se mostra cada vez mais carente de uma nova forma de viver, a humanidade já não suporta mais seu próprio comportamento, o homem novo se tornou uma necessidade, e toda militância revolucionária continua sendo a principal responsável pela concretização deste, que deve ser frojado dia-a-dia em todos os momentos da vida, a abnegação e a vontade de mudar o mundo ainda são as características marcantes de todo comunista. O projeto bolivariano encampado por Che está presente em grande parte dos discursos dos líderes populares do continente.

Não podemos separar Che do seu mundo, só o fato de ter sido fundamental para a implantação do 1º regime regime socialista no ocidente já seria o suficiente para o transforma-lo num mito, mas não parou por aí, todas as suas realizações se deram dentro de uma crise no movimento marxista, a apatia tomava conta das organizações comunistas que não conseguiam corresponder aos anseios de libertação de seus povos, o império se mostrava furioso e intransigente diante da ameaça da vitória do socialismo, qualquer sinal de ameaça aos seus interesses era tratada com ódio e intransigência. Che foi um dos criadores de uma alternativa concreta, tanto a apatia reinante no movimento marxista tradicional, passando pela falência do reformismo das burguesias nacionais e democráticas até as ditaduras bancadas pelo imperialismo.

Mas com todas as controvérsias, todas as divergências de opinião e todas as análises históricas, ninguém pode negar que o maior legado deixado por Che foi seu exemplo, tudo que pregou fez na prática, dedicou toda sua vida a vitória do socialismo e por isso, desde sua morte, seu rosto estampa as bandeiras de manifestações de todos os tipos ocorridas em diversas partes do mundo. Seu exemplo ainda perdura, mesmo os que não o conhecem sentem simpatia por seu rosto, só por saber que este é um sinal de rebeldia, cabe a nós, mostrar o que está além do barbudo rebelde, a nossa tarefa é transformar qualquer foco de simpatia em revolta. Che tombou, mas o seu sangue regou nossa terra, e as sementes por ele plantada, junto com a diversos revolucionários, sedo ou tarde irão dar resultado.

"Façamos um, dois, três, muitos vietnãs"

Com esta frase, Che sintetizava seu sentimento, que via a resistência heróica de um povo como exemplo a ser seguido por todos que almejassem a sua libertação. A pouco tempo, Chávez relembrou esta frase, está na hora de todos nós relembrarmos.

Os povos do mundo não suportam mais a exploração, o capitalismo está chegando ao seu fim, esgotam-se as possibilidades de resolver as crises criadas por este mesmo, o mundo está novamente a beira de um colapso econômico, a terra está sendo destruída, em poucos anos não teremos mais água. A burguesia não é mais capaz de apresentar uma alternativa concreta para a humanide, cabe a nós apresentar uma alternativa e romper de vez com a crise do marxismo. Cada vez mais, vemos tanto na América Latina quanto no Oriente Médio, o surgimento de fortes movimentos de reação ao imperialismo, porém ainda carecem do caráter científico que qualquer alternativa socialista necessita para se consolidar, ou a apresentamos ou não teremos mais mundo para que outros apresentem no futuro.

Os poderosos podem até ter matado Che, mas não impedirão que seu legado continue, a primavera ainda esta para chegar, podem ter matado uma, duas ou três rosas, mas jamais impedirão a primavera. Enquanto houver capitalismo no mundo, haverá exploração, enquanto existirem trabalhadores sendo explorados, existirá a esperança pelo socialismo.


Socialismo ou Morte!

Que seja eterna a luta de Che Guevara e de todos aqueles que deram suas vidas pela emancipação dos povos e pelo socialismo.


Diego Grossi - 09 de Outubro de 2008

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DITADURA MILITAR: 35 ANOS SEM HONESTINO GUIMARÃES


Em 10 de Outubro de 1973 era preso pela CENIMAR (Central de Informações da Marinha), no Rio de Janeiro, Honestino Monteiro Guimarães, então presidente da UNE. A partir desse momento, Honestino entrou para a numerosa lista dos “desaparecidos políticos” durante o regime militar, o qual não reconheceu publicamente sua morte nos porões da ditadura.

Honestino nasceu em Itaberaí, pequena cidade do interior de Goiás, em 28 de março de 1947. E, em 1960, mudou-se com sua família para Brasília. Em 1965, Honestino entra para o curso de Geologia da Universidade de Brasília como o primeiro colocado geral no vestibular, na universidade começa a participar da APML (Ação Popular Marxista-Leninista). Em 1966, Honestino vira presidente do DA de Geoligia da UNB, em 1968, como presidente Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (FEUB), conduz várias manifestações em Brasília. Faltando 2 meses para a conclusão do Ensino Superior, Honestino é expulso da Universidade.

Em 1970 é eleito presidente da UNE, no qual escreveu diversos artigos e manteve ativo o M.E durante vasto período repressão. Vivendo no eixo RJ-SP, passou a ser cada vez mais perseguido, até que a repressão finalmente consegue captura-lo e liquida-lo.

Que o exemplo de combatividade de Honestino seja seguido pelas gerações futuras, que nossa juventude possa se inspirar nos mártires do passado para lutarem no presente, e assim garantir um belo futuro.

Cada derrota que os algozes do regime militar sofrem, como a declaração da justiça que reconhece Ustra como torturador, deve ser comemorada. O Brasil precisa que os arquivos da ditadura militar sejam abertos, isso é do interesse de todo o povo, inclusive dos militares de bem, que estão ali para defender nossa pátria, estes, mais do que qualquer outro segmento, devem também se mobilizar pela abertura dos arquivos, pois só assim a população e a história, saberão quem são os algozes e traídores da pátria e quem são aqueles que a defendem e defendem seu povo.

Vida longa aos ideais do mártires!
Viva Honestino Guimarães, viva o movimento estudantil!
Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil!

Diego Grossi - 10 de Outubro de 2008

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50 ANOS DA REVOLUÇÃO CUBANA : TRIBUTO À FIDEL




Fidel Castro desde novo defendeu as causas do povo Cubano, líder estudantil era muito querido entre todos os estudantes, como advogado protegeu camponeses e trabalhadores gratuitamente, ganhando causas consideradas impossíveis contra famosos advogados, tornando-se grande defensor das causas populares, decidiu sair candidato, mas a ditadura instaurada por Fulgêncio Batista o impediu de exercer seu mandato.

No dia 26 de Julho, lidera um ataque frustrado ao quartel de Moncada, preso escreve o famoso manifesto intitulado "A história me absolverá". Anistiado vai para o México.

À bordo do navio Granma, junto com vários exilados cubanos treinados por ele volta a Cuba. Logo na entrada da ilha é surpreendido pelo exército de Batista. Sobram apenas onze (entre eles o médico da expedição e futuro comandante Che Guevara), decidem lutar: "Morremos pela revolução ou triunfamos com ela".

Junto com seu irmão Raul e do revolucionário argentino Che Guevara comandam a maior revolução da história da América Latina. Como primeiro país socialista da América, Cuba desafia os interesses dos EUA, Fidel não treme nem um minuto, sempre com um discurso empolgante conclama o povo cubano a resistir. Comanda a defesa do país na fracassada invasão americana na Baía dos porcos.

No plano internacional o povo cubano é o porta-voz dos povos oprimidos, ajuda povos asiáticos, africanos e principalmente latino-americanos na sua defesa por soberania contra as forças imperialistas.

Fidel e o povo cubano ainda pagam por sua coragem, o boicote norte-americano a Cuba, ainda afeta seriamente a economia cubana. Mas o cerco está acabando, mais focos de resistência começam a ameaçar a soberania Ianque, Cuba não está mais sozinha na luta.

Povo cubano continue a resistir, estamos chegando na linha de frente, de armas na mão se preciso for estamos totalmente dispostos a continuar a luta dos povos latino-americanos por sua liberdade.

Direita reacionária e entreguista, trema perante a força do proletariado latino-americano!

Que estes 50 anos sejam apenas o 1º passo da derrocada da capital em todo o continente!

Pátria ou Morte
Venceremos.


Diego Grossi

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